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10 jan 2012

Comunicação

Smartphone ter isenção de tributos é uma das metas do Governo. Compartilhar

Ministério das Comunicações quer reduzir em 25% preço de celular com internet produzido no país para popularizar rede. A ideia é incluir aparelho na chamada 'Lei do Bem', que desonerou tablets a serem produzidos no país.

O Ministério das Comunicações trabalha em um plano para reduzir o preço de smartphones por meio de isenções fiscais, visando popularizar a venda dos aparelhos fabricados no país e acelerar o acesso das camadas mais pobres à internet.

O objetivo é provocar uma queda de até 25% no valor do produto. A iniciativa surgiu após pesquisas revelarem que a aquisição de celulares com acesso à internet tornou-se o "sonho de consumo" da classe C nos últimos anos.

A opção em estudo é incluir o smartphone na chamada "Lei do Bem", a mesma que desonerou os tablets produzidos no país. A regra zera a tributação de PIS/Cofins e reduz a cobrança de IPI em alguns casos.

Segundo dados oficiais, o smartphone mais barato hoje é vendido por R$ 199,00. Com a medida, passaria a custar R$ 150,00. Há, no mercado, planos de acesso à internet em banda larga a R$ 0,50 ao dia.

"As pessoas querem andar de ônibus navegando na internet", disse à Folha o ministro Paulo Bernardo ao ser procurado para comentar o projeto. "Com preços mais baixos e planos populares, vai haver um salto extraordinário no consumo", afirmou.

Os números mostram um potencial expressivo de crescimento. Dados do ministério indicam que há hoje, no Brasil, 236 milhões de celulares ativos, mas apenas 36 milhões com banda larga.

Outros indicadores também embasam o projeto do governo: a ampliação dos acessos à internet está se dando muito mais por meio de aparelhos móveis do que pela rede fixa. No primeiro caso, a expansão foi de 101%, ante 22,4% no segundo, nos 12 meses de outubro de 2010 a outubro de 2011.

Esse fenômeno se explica pelos custos e pela infraestrutura da internet fixa que comporta mais tráfego e mais velocidade, embora dependa de mais investimento em cabos de fibra óptica.

Em abril, está previsto o leilão do 4G, banda móvel mais veloz e cara que a atual 3G, mas que provocará o mercado a oferecer velocidade maior nos pacotes populares.

Um dos efeitos do plano "smartphone para a classe C" é a ampliação da geração de emprego em fábricas e lojas. Em breve, as empresas de telefonia serão convocadas para discutir a proposta. Espera-se também que as empresas ampliem o parcelamento nas vendas a prazo.

A tecnologia muda o jogo continuamente para os produtores de bens e serviços e para os consumidores.

Nos maiores países do mundo, a tecnologia é tipicamente incorporada aos poucos e a adoção é geralmente mais rápida e sutil. Grandes saltos tecnológicos são vistos mais frequentemente em mercados emergentes.

Em termos de uso da internet, podemos estar perto de um desses saltos em 2012. Isso porque o plano de "inclusão digital" dos mais de 100 milhões de brasileiros que não se conectam a cada mês vai ser mais e mais visível.

Segundo a comScore, 84 milhões de brasileiros se conectaram à internet no mês de novembro. Esse número considera o acesso usando qualquer aparelho (PC, laptop, smartphone, iPad etc.) e representa uma penetração de aproximadamente 40% da população brasileira.

Comparado com países como EUA, Reino Unido, Japão, Holanda e Canadá, além de Chile e Argentina, esse número é bastante baixo.

Segundo a comScore, já existem vários dados indicando que certas atividades on-line, especialmente e-mail, messenger, mapas e serviços de geolocalização e, claro, acesso às redes sociais, estão migrando mais e mais do PC ou do laptop para os smartphones e agora os tablets.

A comScore publicou um estudo mostrando que a audiência dos sites no Brasil que vem de celulares e tablets cresceu mais de 120% de maio a outubro de 2011.

Claro, em termos absolutos, o uso da internet em smartphones e tablets é ainda muito menor que o uso em PCs e laptops, mas, nos próximos 12 meses, como você acha que vão ser as vendas de tablets neste país?

Se você for um desses mais de 100 milhões de brasileiros que não estão se conectando à internet e agora seja convencido pelas mencionadas iniciativas de "inclusão digital", existe uma boa chance de que você opte por smartphone ou tablet.

Com o crescimento da classe média brasileira, com as iniciativas de aumentar a penetração da internet e com diversos tablets e smartphones disponíveis em vários níveis de preço, não só a penetração e a audiência brasileira da internet vão crescer muito em 2012 e 2013, mas o jeito de acessar a internet pode ter um grande salto e chegar logo aos níveis vistos em Estados Unidos, Japão e Europa.

Por outro lado PCs e tablets já tiveram desoneração de Brasília, a desoneração de smartphones não é a primeira medida tomada pelo governo para baratear produtos no setor de tecnologia e parece ser o caminho natural a seguir no processo de desenvolvimento.

Em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva elaborou o programa "Computador para Todos". Foi um fracasso industrial nos dois primeiros anos, mas em 2005 ganhou fôlego e 18 fabricantes associados ao programa, que desfrutaram das reduções de PIS/Cofins e de IPI para os produtos produzidos no país.

Mais recentemente foi a vez dos tablets. São dez as empresas já habilitadas a fabricar a prancheta com tela sensível ao toque com desoneração, de 31 pedidos apresentados.


Fonte: Folha de São Paulo

por Francisca Chiovitti (Portal RCR ), dia 10/01/2012 às 15:02

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