HISTÓRIA DA RCR - REDE CATÓLICA DE RÁDIO
 


Quem é a RCR?
 

Reunião de emissoras para operação via satélite digital. Trata-se de uma associação com fins também comerciais cujo objetivo geral é o de formar uma Rede diferenciada (porque não reúne só rádios, mas geradoras), com programação aberta, variada e abrangente.
Quem participa hoje da RCR?

Sócios fundadores (são 12) e representam as emissoras, UNDA, CNBB que se reuniram para pensar o Igreja-SAT (primeira experiência da Igreja neste campo da transmissão via satélite). São hoje 5 Geradoras: (ou bases que tem up link, Rádio Aparecida, Rádio Difusora de Goiânia, Rádio Imaculada Conceição,  Rádio Canção Nova e Rádio São Francisco de Caxias do Sul), os sócios individuais e as próprias rádios ( que até agora estão ligadas à sua Geradora)
RCR: histórico - 1ª fase

A origem da RCR está ligada à entrada da Igreja na era do satélite para a transmissão radiofônica. Em 1992 a Rádio Aparecida fez contrato com a EMBRATEL para usar um canal via satélite pelo sistema analógico, o sistema usado na época. A idéia era reunir a partir da Rádio Aparecida uma rede de emissoras com o mesmo objetivo da Evangelização.

A inauguração oficial do sistema que passou a chamar-se Igreja SAT e que foi discutido na VI Assembléia realizada em São Paulo em novembro de 1992 - tinha se dado em 12 de outubro do mesmo ano com abertura da IV Conferência Episcopal Latino-Americana, de Santo Domingo. Na Assembléia ficou decidido que através de um convênio gerenciariam o projeto Igreja SAT a CNBB, a UNDA e a Rádio Aparecida. Só que os custos corriam por conta da Rádio Aparecida que pagava o aluguel mensal e produzia praticamente sozinha a programação.

Um grupo de emissoras colocou os receptores e transmitia o que interessava da programação da Rádio Aparecida e o pouco que pudesse a existir a mais. Um problema técnico, porém, tornava o som ruim para algumas regiões. Acontece que, de Aparecida a São Paulo, o som vinha por linha física antes de subir ao satélite e isto significava perda. Foram feitas várias tentativas para solucionar o problema e a solução só viria mesmo com a mudança do sistema, passando do analógico para o digital.

A Rádio Aparecida administrou e bancou a transmissão via satélite de outubro de 1992 a abril de 1994. Nesse ínterim foram feitos esforços para reunir o maior número possível de emissoras que rateariam o custo do aluguel do canal. Poucas participaram. Alguns eventos isolados de formação de rede (12 de outubro e 12 de dezembro para lançamento do ano da família-1993) renderam alguns recursos para o Igreja SAT, mas era pouco diante do montante mensal. Diante disto, a Rádio Aparecida decidiu que não mais operaria via satélite e na Assembléia dos Bispos, em abril de 1994, oficializou o ato.

Nesta mesma ocasião, em Itaici/SP, convocada pela CNBB (Setor de Comunicação) e por UNDA/Br, aconteceu uma reunião dos Bispos que tinham concessão de rádio. Nesta reunião, em que estavam presentes diretores da Rádio Aparecida e outros interessados na transmissão via satélite (Rádio Difusora de Goiânia), os Bispos resolveram reassumir o projeto Igreja SAT e UNDA/Br foi oficialmente encarregada de coordenar o projeto. Ao mesmo tempo, era preciso se pensar em mudar o sistema de transmissão - do analógico para o digital - atitude que possibilitaria a Rádio Aparecida cumprir o contrato com a EMBRATEL sem precisar pagar multa, o que ocorreria pela simples desistência de operar. A mudança de sistema exigia recursos. Por iniciativa de UNDA/Br foi feita uma carta aos Bispos e, em plenário na Assembléia, foi exposto o problema. Pedia-se nesta carta adesão também financeira dos Bispos. Cerca de 80 deles aderiram e cooperaram com donativos que somaram cerca de U$ 35 mil. Esses recursos estavam destinados à mudança do sistema de analógico para o digital.

Tomadas as decisões e empenhada a participação efetiva de muitos Bispos, UNDA/Br tratou de colocar em marcha os trabalhos visando a consolidação do Projeto Igreja SAT e a mudança de sistema. O prazo para tanto ia até março de 1995.

Inicialmente, seguindo proposta feita pela Rádio Aparecida, foi formado um grupo para administrar o projeto. Foram convidados para a reunião inicial em maio de 1994, a Rádio Aparecida, os Paulinos (Rádio América-SP), a Rádio Difusora, de Goiânia (Redentoristas interessados em ficar com o canal analógico de Aparecida), a CNBB, a Rádio Clube do Paraná (Maristas) e representante de emissoras da Bahia (que estavam participando ativamente dos fatos). A coordenação era de UNDA/Br. Nesta reunião foi formado o Grupo Executivo do Igreja SAT, composto por todos os que estavam neste primeiro encontro.

Restava o trabalho a fazer. Na oportunidade apareceu um grupo, Oboré-Editora, que atuava na área da comunicação impressa há anos. Aliou-se ao projeto Igreja-SAT e passou, na verdade, a fazer o que o Grupo Executivo decidia. Havia um contrato entre UNDA/Br e Oboré. Os trabalhos foram intensos desde um levantamento completo das rádios católicas e sua situação até a produção de programas que pudessem ser comercializados e espalhados pela rede. Entraram para o projeto, via Oboré, uma produtora, assessoria de marketing e outros possíveis parceiros. Foi um período árduo e agitado em que se tentou descobrir o caminho e os meios para sustentar o Igreja SAT. Os serviços da OBORÉ duraram seis meses (de maio a outubro) e depois o Grupo Executivo decidiu dispensá-los.

RCR: histórico - 2ª fase

Começava nova fase do projeto Igreja-SAT. Era necessário criar nova estrutura para levar em frente os trabalhos. Depois de muita conversa, e continuando a idéia já nascida de fundar uma entidade-empresa que fosse ágil e pudesse atuar rapidamente, nasceu no dia 10 de novembro de 1994, em São Paulo, a RCR. Com estatuto próprio, aprovado em Assembléia de fundação, realizou-se a eleição para formar a primeira direção. Os critérios de escolha foram: pessoas que já estavam na luta e atuavam no projeto; ligação com UNDA/Br; mandato que devia durar até novembro de 1995 quando se daria a VII Assembléia de UNDA/Br e poderia ser também a I Assembléia da RCR. Para a diretoria da RCR foram indicados: dois membros de UNDA (Pe. César Moreira e José Clair Bresolin) e representantes das emissoras que estavam participando de tudo (Pe. Arno Brustolin, Irmão Lauro Pazeto, Pe. João Batista de Almeida e Gilson E. de Almeida). Formou-se assim o Conselho Deliberativo da RCR (Presidente: Pe. César Moreira; Vice: Irmão Lauro Pazeto; Tesoureiro: Pe. João Batista de Almeida; Diretores: José Clair Bresolin; Gilson E. de Almeida e Pe. Arno Brustolin). Caberia a este grupo assumir os trabalhos da RCR que foi registrada com o endereço de UNDA/Br.

Redes Regionais

O tempo corria e tínhamos até março de 1995 para fazer a passagem do sistema analógico para o digital. Mesmo durante este período, de abril a novembro de 1994, continuou certa operação via satélite porque a Rádio Difusora de Goiânia conseguiu junto a EMBRATEL alugar o canal que estava com a Rádio Aparecida para servir a uma Rede Estadual que vinha montando. Por este sistema foi feita a cobertura da II Semana Social Brasileira, de 24 a 29 de julho de 1994, em Brasília e o Dia da Padroeira (12 de outubro de 1994) usando da Rede Regional que estava funcionando em Goiás

Em dezembro de 1994, diante dos grandes investimentos que os Maristas de Curitiba/PR estavam fazendo na Rádio Clube Paranaense, o Presidente, agora, de UNDA/Br e RCR foi oficialmente propor à Fundação Champagnant que montasse o sistema digital para a transmissão via satélite. Levava a verba que fora recolhida junto aos Bispos. Os Maristas toparam. Em Curitiba, pois, estaria a base digital da RCR.

Nesse ínterim, em uma reunião do Conselho Deliberativo da RCR, também a Rádio Aparecida e Difusora de Goiânia dispunham-se a montar bases de transmissão digital. Inclusive, a Rádio Aparecida dispensava participação na verba dos Bispos recolhida com esta finalidade. Ficou acertada a montagem de três bases regionais: Curitiba/PR, Aparecida/SP e Goiânia/GO. A partir daí as negociações para a compra de equipamentos e com 3 as emissoras para terem as remotas (receptores) seriam todas em conjunto. Um bonito trabalho foi feito no Paraná e em São Paulo: foram visitadas todas as emissoras católicas e outras pelas quais havia interesse de que participassem para a melhor cobertura regional. Nasciam assim redes regionais e a RCR Nacional.

Outra iniciativa, em vista do V COMLA - Congresso Missionário Latino-Americano a realizar-se em Belo Horizonte, em julho de 95, foi tomada: propor à Arquidiocese de BH a coordenação de uma Rede em Minas Gerais através da Rádio América. Parte do Conselho Deliberativo esteve, após encontro pessoal do Presidente de UNDA/Br e da RCR com o Arcebispo, Dom Serafim reunido com as lideranças da Arquidiocese assumiu a formação da Rede Mineira. Seria a 4ª base de transmissão digital e a quarta Rede Regional ligada a RCR.

Ao mesmo tempo, a Rádio Canção Nova do Movimento Carismático, montava sua base, assim como os Paulinos, através da Rádio América de São Paulo. Para sustentar a qualidade de sua programação especifica nas emissoras da RCR que aderiram ao programa noturno da Milícia, a então Rádio Mauá, hoje Rádio Imaculada Conceição também montou sua base. Por fim no mês de março de 1999 foi inaugurada a Rede Sul, que tem como geradora a Rádio São Francisco de Caxias do Sul /RS e hoje conta com cerca de 15 emissoras de AM e foi a primeira a montar também uma rede de FM, a Rede MAISFM, com 5 emissoras. Durante a II Assembléia da RCR foi encaminhado o pedido para que a REDE Sul fizesse parte do Conselho da RCR, o que foi aceito. E ao mesmo tempo os Paulinos pediram sua saída da RCR, pois formaram uma rede própria denominada REDE PAULUS. De lá para cá, mais duas emissoras encerraram suas atividades como geradoras, a Rede Mineira e a Rede Paranaense, hoje somos 5 geradoras, com quase 200 emissoras filiadas.

A Filosofia da RCR

O ideal e a meta da RCR é realizar a COMUNHÃO em primeiro lugar entre nós de Igreja (supondo que tenhamos como objetivo maior de nossa ação a Evangelização). Depois com quem tenha ideais maiores e compromissos com a continua redenção do irmão. Construir comunhão respeitando diferenças e pluralismo difícil, mas nossa meta.

A comunhão de que falamos se constrói também pela PARTILHA DAS VERBAS que a Rede venha a comercializar. A RCR não visa explorar emissoras menores e usá-las a serviço de emissoras maiores e de sua programação. Queremos a redenção das rádios pequenas para que prestem seu serviço local.

A participação na programação sempre opcional porque acima de tudo está o RESPEITO À PROGRAMAÇÃO e à característica de cada rádio e seu envolvimento com sua realidade. A RCR oferece, pela participação das 8 Geradoras, uma série de oportunidades em termo de programação e as rádios escolhem, tendo como critérios sua IDENTIDADE E A PARTICIPAÇÃO que pretende dar. (para participar é preciso também conceder horários e abrir espaços senão nunca será REDE. Não queremos Programação enlatada e vertical, mas participativa, diversificada.

Outra característica de nossa REDE a REPRESENTATIVIDADE NACIONAL, O ideal e a meta da RCR é realizar a COMUNHÃO em primeiro lugar entre nós de Igreja (supondo que tenhamos como objetivo maior de nossa ação a Evangelização). Depois com quem tenha ideais maiores e compromissos com a continua redenção do irmão. Construir comunhão respeitando diferenças e pluralismo difícil, mas nossa meta.

Por fim, a RCR busca o FORTALECIMENTO DAS EMISSORAS LOCAIS para que, bem constituídas e gerenciadas, possam passar aos ouvintes e anunciantes a noção de cidadania nacional, a macrovisão junto com a inculturação estadual e municipal.


As Rádios e a RCR

A primeira atitude entre RCR e as RÁDIOS (e vice-versa) é a de COMPROMISSOS MÚTUOS. Ou nos fortalecemos juntos ou NÃO existirá REDE. Compromisso significa conhecer a filosofia, as metas, o modo de integrar, participar e fazê-lo realmente. (a atitude de querer só o bom e não os ônus e os riscos é covardia).

A segunda atitude é a de RENOVAÇÃO DAS RÁDIOS e SUA ADEQUAÇÃO à Rede. Rádios sucateadas, desorganizadas, descompromissadas não levam a nada. Tínhamos de convencer as rádios a se reestruturarem. Reunir um bando de falidos não leva a nada.

A terceira atitude a de criar e manter a CREDIBILIDADE diante de ouvintes e patrocinadores. Uma emissora que integre a REDE e não seja fiel em cumprir sua parte é um desastre. Acrescente-se que para nós de Igreja furar na credibilidade é um desastre maior do que para outros.
Conclusão.

O que você pode fazer? a sua parte em seu departamento. Ou renova-se ou morre. E passar para colegas a filosofia ou o espírito da RCR.

Parcerias: o mundo globalizado amplia a prática das parcerias como forma de agir. Não fique sozinho fechado, achando que se basta. Essa uma atitude suicida.

Utopia: vivemos na realidade, mas temos sonhos e desejos que vão além do material, do faturamento, do crescimento. Se buscamos isto, para realizar enquanto possível a construção do irmão e sua redenção.
 

 

 

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