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A mesa da refeição é lugar de encontro, de confraternização e de comunicação espontânea. Certamente é uma experiência muita amarga constatar que, na mesa de um jantar, infiltrado entre os amigos, está sentado o traidor. Passados dois milênios, cada um de nós reage envergonhado ao saber que isso aconteceu com o Mestre, na refeição de despedida com seus discípulos. Mas por que Jesus não escolheu melhor as pessoas? A resposta pode estar em outra pergunta: se ele escolhesse algum de nós, a história seria diferente? Certa vez ele afirmara: “Eu não vim chamar os justos mas os pecadores”. Os convites são oportunidades oferecidas. Trair também é uma maneira de responder; por isso continuam ocorrendo traições entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. O povo é traído; as pessoas traem seus ideais; há alguém que trai a confiança, a amizade, os compromissos. Segundo o evangelista Mateus, diante do questionamento de Jesus, Judas perguntou: “Mestre, serei eu?” Naquele momento, a refeição se tornara a celebração pascal, e chegara o momento do ato penitencial que se repete em todas as missas. Cada um de nós deve, no mínimo, perguntar-se: Senhor, serei eu? Agindo assim, ofereço a Deus a oportunidade de me responder: “Tu o dizes!” A verdade é dura; ao ouvi-la, Judas achou que não havia mais jeito, e abandonou o convívio do Mestre. No entanto os seus companheiros continuaram. Reconhecer o mal feito a Deus e aos irmãos não é o fim de tudo; a confissão contribui para restabelecer a verdade, e para que a celebração tenha prosseguimento. Assim a vida poderá ser transformada. |
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